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palpável silêncio...

emoções dentro de mim dão conta da minha conduta, um dia me sinto demasiado nova, outro demasiado velha, e lá se vai meu equilíbrio minha harmonia, aqui delinearei parte de mim passado sem pretensão e escreverei estados de espírito no presente...

palpável silêncio...

emoções dentro de mim dão conta da minha conduta, um dia me sinto demasiado nova, outro demasiado velha, e lá se vai meu equilíbrio minha harmonia, aqui delinearei parte de mim passado sem pretensão e escreverei estados de espírito no presente...

dia solarengo em mim...

brindo à vida nesta manhã de certo modo aprazível, cruzam-se pássaros na memória, ouço o vento por entre as árvores, nem tudo está perdido, percorri, caminhei, voltei a recordar a vida e a distância com a ternura deste inverno que brota vida à minha volta...

 

natália nuno

 

os dias da flor...

surgiu o dia em ebulição, aí senti um desejo doce, não era de vinho, nem de pão, mas a alegria obtida de me sentir de novo eu, do véu que envolve a memória trazendo-me o sonho, e de novo os dias da flor, eis-me viva com o peito a arfar, neste encontro com a que de mim se perdeu, e a manhã fica mais rosada e fresca a terra e o céu...é a recordação que sempre me acode. restitui-me um pouco de alegria enquanto a vida é neve ao sol....

desabafo...

como fruta doce, crescia no meu peito a melancolia e é como se fosse, qualquer coisa que nunca soube, ou será que sabia?! não seI se fiz mal ou bem só sei que amei, sem pertencer a ninguém...

 

natalia nuno

rumo...

lento outono, assim sou eu de verdade como folha caída ao abandono, no coração a nostalgia, saudade... tudo unido do princípio ao fim, da verde à amarelada folhagem, é assim hoje minha imagem, deixem-me em paz então, escuto o passado e o futuro neste pedaço de chão, onde a fé já esmorece e tudo se entristece... conforma-me, se o amanhã voltar, a noite, estranha doçura deixa, talvez a saudade a lembrar... em mim uma íntima queixa, difícil é o caminho, mas há que caminhar.

natália nuno

solidão...

a solidão, é loucura da mente
fica-se de peito aberto ao que vier
e os desejos que a alma sente, 
o tempo acomoda,
e o corpo 
que é flor bravia,
ama sempre que puder
o amor ilumina o mundo
e serena o coração
às vezes dói bem fundo
quando se desespera de paixão,
logo se abrem cicatrizes e
esfria o coração, a alma perdida
presos à recordação de dias felizes
continua a vida...e a bater o coração

natalia nuno

 

saudade é tormento...

anda a cotovia nos trigais

ando eu contemplativa

e as andorinhas nos beirais

numa roda viva...

respiro o aroma campesino

nuvens agrupam-se rendilhadas

viver de saudade é meu destino

que me traz recordações tão delicadas

neste idílio enamorada

lembro os campos da minha terra

a frescura e a fragrância

que pela aldeia se espalha

lembro a criança a jogar à malha

trago uma lágrima furtiva

desperta em mim um sublime sentimento

sinto-me viva...bem viva

mas a saudade às vezes é tormento.

 

natalia nuno

mãos sobre o regaço...

mãos que trago ainda atadas pela vida, que importa isso agora, vêm de longes ignorados, só as palavras vivem o prazer de conhecer seus desejos incontidos, às vezes vazias, adormecidas no regaço alheadas de tudo...quando deste pels minhas mãos?- sofregas, desenhando carícias em teu corpo, na melancolia duma qualquer tarde doce...como o tempo voa, são agora mãos cheias de nada... 

 

natalianuno

coisas de poeta...

oiço a chuva a murmurar uma ladainha, enquanto vai humedecendo as folhas caídas pelo chão, nem uma estrela visível no céu, e eu, aqui surda e muda e esta vida que já não muda... cada gota de chuva cai no meu coração, poema que escrevo fica tanto por dizer e a noite a tecer sonhos, não sei se devo ou não devo, colocar o amor mais perto de mim e afastar a dor da solidão já que meu coração é folha caída, que me ampara na descida...

 

natália nuno

coisas de poeta...

quando é evidente a solidão, nem levo a sério se dizes que me amas, o eco da tua voz fica na noite que desce sobre mim...faz fronteira com o inverno que me envolve, mas traz-me uma fugaz esperança ao coração, que obstinado ainda te quer ouvir...

 

natalia nuno

coisas de poeta...

hoje não se ouvem os pássaros e há árvores que choram, enquanto eu, desenrolo imagens no pensamento como se as voltasse a viver e, decido amar-te de novo como se fosse a primeira vez...

 

natalianuno

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