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palpável silêncio...

emoções dentro de mim dão conta da minha conduta, um dia me sinto demasiado nova, outro demasiado velha, e lá se vai meu equilíbrio minha harmonia, aqui delinearei parte de mim passado sem pretensão e escreverei estados de espírito no presente...

palpável silêncio...

emoções dentro de mim dão conta da minha conduta, um dia me sinto demasiado nova, outro demasiado velha, e lá se vai meu equilíbrio minha harmonia, aqui delinearei parte de mim passado sem pretensão e escreverei estados de espírito no presente...

palavras bolorentas...

 

não sei como dizer da dor da minha escrita, do sol que nela nasce tardio, dos dias partidos um a um, das noites mergulhadas no silêncio, sufoca ela nas minhas mãos e colho poemas desfeitos fugidos do peito em agonia infinita... não sei se voltarei a escrever, as palavras golpeiam-me os pensamentos, velhas cheirando a humidade, insistindo agarradas aos meus dedos, esparramando-se em pranto e saudade, mas não me seduzem nem convencem não têm mais ordem para nascer neste tempo inigmático de outono que me faz sofrer, cortei o fio que me atava à poesia que me trazia sonhos quiméricos para depois me perder na obscuridade de mil sombras...quero falar do aroma da infância, da linguagem da natureza, acariciar os regatos que me saem da garganta, nas canas verdes dos meus olhos deixar pousar os pintassilgos, os melros, esses sim, tão vivos enraizados na minha memória, feitiço que me levará ao esquecimento....lá, onde se eleva uma estrela que me acolhe.

 

natalianuno

sargaços nos olhos...

partiu, não a pôde amarrar, mirou-me, mirou-me e disse-me que a sorte havia de virar, levou-me a vida para longe com o silêncio envolvendo-me os sentidos, prometendo-me o mundo, quando ainda era uma menina de vestido branco de palmo e meio, com sargaços nos olhos e baloiços no pensamento, pássaro insaciado de brincadeira de asas finas e inquietas e, faltando-lhe tudo o demais, o aconchego do colo da mãe, a manta dos quadradinhos, os pássaros na janela, e os lírios deixados em tristeza...tudo me escapou na pressa desse dia, tudo rompeu num choro, até a folhagem da mimoseira desatou em lágrimas, dentro de mim um rumor de sino continuava a bater com medo de parar....

 

natalianuno

tão quase tudo...

tão quase tudo... a verdade é a poeira sem assentar a fazer-se ninho nos meus olhos e o meu universo toldado, vem até mim um pássaro que ri, inventa e chora, e em cumplicidade sentamo-nos no alpendre conversamos sobre flores, falamos de primaveras e de vôos de outono, de chegadas e despedidas, olhamos os riozinhos de sol que correm no meu rosto onde as rosas já não crescem, um pavão de asas abertas me confronta o coração...há muito que não me faço perguntas, repouso das interrogações da vida, das esperanças defraldadas, das borboletas cegas que sobre os sonhos voejam, repouso da saudade de granito, e assim vou dizendo adeus sem me doer...

 

natalianuno

criança...

Já vem chegando a lua misteriosa,

hoje voltou a ser jovem e me olha extraviando minha memória,

para que me sinta próxima da criança que há em mim...

 

natalianuno

a paz...

pela friura da vidraça olho vagamente o céu de azul, leve... bordado a branco, como quem desperta dum sonho, é manhã, entre a realidade e a memória consumida ouço o palpitar do mundo nas papoilas que gritam feridas pelos ventos agressivos, pressinto no vai vem dos pássaros que flutuam na minha retina a querer ocultar-se , que o instante não é uma dávida de amor, e o mundo fica trémulo num vôo retido...à espera que passe a hostilidade entre os homens, enquanto os meus dedos febris procuram a pomba branca e um raminho de oliveira repetindo palavras na solidão da hora...

 

natalianuno

aridez...

talvez me mortifique no vazio da espera, o sol hoje trouxe emoção a pequenas coisas, tocou o meu coração e eu toquei o horizonte azul dos sonhos, aos olhos voltaram pássaros de ternura, na mente o sussurro enfeitiçado da felicidade e nas mãos molhos de trevos avermelhados colhidos na aridez da alma onde brota sempre uma esperança...

 

natalainuno

dar frutos...

peguei uma flor de acácia

coloquei-a no cabelo era ainda primavera

em mim

a árvore estava florida, e eu à espera

de dar frutos,

o eco dum choro abafado... e eu era mãe,

e a pergunta no ar....menino ou menina?

mistério desvendado... poema acabado!

 

natálianuno

estou vazia...

observo os últimos raios de luz, estou vazia...a noite como um lago tranquilo, tremem as estrelas, a lua recita versos de qualquer saudade e a brisa da infância que sempre me espera adoça o vazio que há em mim, não sei se vou acordar, escolho ficar no sonho numa fantasia que me incendeia, deixo-me ir nesta utopia que me protege da sentença dos anos, calada a minha pena nos olhos se apaga, evoco memórias, mato a sede, perco-me no sonho como uma nau se perde na bruma, desço a noite imensa e deixo para trás os meus fantasmas interiores, sinto a outra que também sou e a tristeza por tê-la abandonado...

 

natalianuno

fulgor...

e depois cada vez mais depressa a vida a despedir-se, e tudo se distancia,

fica o sonho escondido e guardado para sempre atrás da porta num quarto
onde se viveu com um fulgor mais belo que a própria vida ...quem sabe pela primeira vez o amor...

 

natalianuno

entre chuva e o sol...

brindo à vida tocada por um raio de sol que repentinamente apareceu nesta tarde de inverno,

esquecendo o frio nebuloso da manhã cinzenta, entre a chuva e o sol escrevi mais umas palavras que me levam sempre aos mistérios do sonho...

 

natalianuno

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